quarta-feira, 23 de março de 2011

Toda regra tem exceção!

Amigos é perceptível a minha preocupação com a falta de organização administrativa e de trabalhos sociais das Associações que são registradas como Blocos tradicionais, a grande maioria não cumpre os seus objetivos sociais previstos nos estatutos e se restringem a utilizar sua documentação apenas para receber subvenção estadual e municipal para fazer Carnaval, mas como toda regra tem exceção, ora se tem! Vou citar três belos exemplos de estruturas e de seriedade com a coisa pública:

Os Foliões

Entidade de Utilidade Pública Municipal e Estadual, com sede no Centro da cidade, na Rua das Crioulas, desenvolve ações cultuais e sociais durante todo o ano, visando a promoção da cultura popular e do folclore brasileiro, bem como a realização de espetáculos e a manutenção e atualização das tradições. Além de bloco carnavalesco realizam outras atividades por meio do Grupo Foliões, da Dança Portuguesa Raízes de Portugal, das salas de leitura, da Via Sacra da São Pantaleão e do elenco permanente de teatro, do Reisado Folias de Natal, das equipes de corte, costura, bordados e do Concurso Literário Mestre Walmir Moraes Correa.

Foram recentemente contemplados com o Prêmio Culturas Populares, uma das maiores honrarias do Ministério da Cultura e projeta-se em nível nacional pela qualidade de seus projetos e ações socioculturais e em 2008 foram elevados a categoria de Pontinho da Cultura e Ponto de leitura do Ministério da Cultura, devido aos trabalhos com crianças e jovens pó meio da cultura popular. Possuem uma biblioteca completa, com mais de 600 livros, e material de informática para fortalecer os seus projetos. Na verdade já conquistaram oito prêmios nacionais.

Viagens Nacionais e Internacionais, tais como: São Paulo, Pará, Rio Grande Do Sul, Piauí, Distrito Federal, Canadá, EUA, França e Bélgica; exposições na Argentina, Peru, Bolívia, Finlândia, República Tcheca, Portugal e Espanha, vários CD´s gravados e um dos blocos que detém uma das maiores galerias de troféus do carnaval maranhense. .

Os Tremendões

Com sede na Vila Gorete, na Camboa, em baixo da Ponte Bandeira Tribuzzi, está inserido em uma das áreas de grande risco social da nossa cidade. Caracteriza-se por ser um grupo de comunidade e para comunidade. Um dos blocos que detém mais títulos no carnaval maranhense, caracteriza-se por apresentar sempre belíssimos desfiles com luxuosos e bem acabados figurinos, conserva o ritmo da sua batucada e realiza empolgantes apresentações durante todo o ano, cantando grandes composições de Oberdan (ver vídeo) e Zé Raimundo Gonçalves.

Podemos citar entre as varias atividades desenvolvidas: os Bingos, as Domingueiras, os encontros de blocos tradicionais todos realizados visando à recreação dos seus componentes, a sua integração com a comunidade e a captação de recursos para manter as despesas do grupo. Devemos destacar o Encontro de Gigantes que iniciou em 1993 com Chiador, Zé Alberto, Humberto de Maracanã e Roberto Ricci com seu violão que fazia às vezes de batalhão. Hoje integra o calendário junino da cidade e só não é mais realizado na comunidade, porque o publico que vai prestigiar o evento cresceu tanto que a área não comporta mais tanta gente.

Os Tropicais do Ritmo


Fundado em 26 de Junho de 2006 a Associação Folclórica e cultural “Bloco Tradicional Tropicais do Ritmo” tem sede localizada na travessa da Pannair, 188, próximo a Secretaria Municipal de Urbanismo, no bairro de São Cristóvão. Seu lema e não ser apenas mais um bloco de carnaval, mas um grupo que constrói um trabalho social para sua comunidade.

Cumpre uma extensa lista de apresentações o ano todo pela cidade e organizam animadas festas juninas no seu Arraial. Realizam eventos no Dia das Mães, das Crianças, na semana santa; qualquer data festiva e desculpa para estar próximo da sua comunidade, além de ser o único bloco que possui um coral infantil.

- Vai “Querer?! Vai Querer?! - Vai! - Vai “Querer?! Vai Querer?! - Vai! - Para a CBT? - Nada! - Para a CBT? - Nada! - Para Os Foliões? - Tudo! - Para Os Tremendoes? - Tudo! - Para Os Tropicais do Ritmo? - Tudo!

Por Henrique Machado

quarta-feira, 16 de março de 2011

Intrusos no Samba

Vou falar de uma coisa que já vem me incomodando a algum tempo nos desfiles dos blocos tradicionais e que para muitos é inovação, para outros é apenas uma forma de compensar aqueles que não puderam desfilar fantasiados, para outros é uma forma de complementar os seus desfiles para engrandecer o tema. São os tais grupos na frente dos blocos, que vou chamar aqui de “Comissão de Frente” e os grupos de apoio.

Não dá mais pra ver e já estão enjoados os casaizinhos de terno e vestido longo dançando valsa quando comemoram 15 anos, personagens circenses, meninas vestidas de jardineiras, alas de colombinas e outros personagens. Chega de Comissões de Frente, bloco tradicional não é isso.

O máximo que é aceitável e deve ser permitido são alegorias de mão. Quem não se lembra dos Foliões no ano do Guerreiro que levaram tochas e escudos, Os Brasinhas vestidos de Mosqueteiro de capa e espada e os Trapalhões com Os seus Cavaleiros Templários de espadas e escudos, para citar alguns. Como ficou bonito e o tema permitia, não vai demorar muito vamos encontrar blocos na passarela com tripés e carros alegóricos na ânsia de conquistar os jurados e o público, já vi até bloco levando para avenida duas fantasias, a bateria com uma e os balizas com outra, parecia nossos blocos organizados (Charangas), não dá mais para suportar.

Outra coisa que está descaracterizando a muito tempo os desfiles dos blocos tradicionais são os tais grupos de apoio que já deveriam ser abolidos. Apóiam o que? Os caras passam desfilando no meio do bloco, atrapalhando a sua evolução, isso quando não ficam perfilados numa corrente humana amarrando o desfile. Ah! Não posso esquecer-me das tais fumaças coloridas que encobrem os blocos numa nuvem de fumaça, atrapalhando o seu visual e deixam um mau cheiro na passarela.

A Comissão de Carnaval deve repensar o regulamento do desfile chega desses elementos estranhos quem quiser passar pelos blocos vista sua fantasia, pois o espetáculo que o público quer ver na passarela é o bloco completo com a sua belíssima fantasia, o saltitar das suas balizas, o ritmo forte dos seus contratempos e escutar a melodia dos seus sambas-tema.

Por Henrique Machado

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os verdadeiros artistas

Hoje é quarta-feira de cinzas, já sabemos quem levou o título do carnaval, no sábado teremos o Desfile dos Campeões e gostaria de aproveitar esse espaço para homenagear aqueles que realmente são os artistas dos blocos tradicionais, os seus ritimistas. A alma dessa brincadeira e que sem eles esses grupos não existiriam.

Muita enfase é dada hoje para os cantores tais como: Godinho, J.Junior, Adão Camilo, Jailson, Jô, Timba, Sobrinho, Silvio Freitas e outros, muitos recebendo cachês para cantar e outras mordomias mais para se apresentarem pelos grupos e esquecemos os verdadeiros artistas do blocos tradicionais que ficam escondidos em suas fantasias suadas e atrás dos seus instrumentos, não ganham um centavo para isso, muito pelo contrário tocam porque gostam, pagam para brincar e a maioria a muito tempo. Um bloco pode ficar sem cantor, antes essa figura nem existia, contudo sem batucada não tem bloco.

Gostaria de relacionar alguns que eu tive a oportunidade de tocar junto com eles ou de já te-los escutado repercutir seus instrumentos, é o que chamo de a "Nata dos Blocos Tradicionais". Muitos deles com vários títulos por onde passaram, outros já falecidos ou distantes dessas agremiações e alguns mudaram de instrumento para continuarem saindo, afinal é o peso da idade. São eles que merecem uma "Galeria" na Casa dos Blocos Tradicionais.

Na marcação: Tachinha - Murilo - Lambesola - Chiquinho - Biduca e o irmão de Cláudio Mendes que tocava no Príncipe de Roma - Bacurau (in memoriam);

Nas retintas: Paulinho - Enéas - Jorge Faray - Tuna - Robson - Zé Maria - Dalto - Afonso - Marcos (in memoriam), Brio (in memoriam) - Wellington xaropinho - Lúcio - Pepeco - Cláudio - Mendes - Josimar Rangel - Robinho - Wendel Nogueira - Marcos Rodrigues - Tiago - Netinho e Nikimba;

Nos contratempos: Almizinho - Hermes - Renato - Junhão - Paulão - Marcelão - Celso - Henrique Brito Silva - Giovane - Clóvis - Ulisses - Bamba - Walterlino (in memoriam) - Zé Carlos - Perminho - Capão (in memoriam) - Levinha - Escuro - Márcio - Nilton - William - Policarpo - Chico - Peixinho - Cacá - Lulu - Privado - Alziro - Flávio - Jamil - Alfredo - Sergio Natureza - Jorginho e Caio;

Na cabaça: Mexicano - Sorriso - Carrinho e Jorge Rangel;

Nos ganzás: Carlinhos da Liberdade, João de Deus - Flávio Liberdade, Eudamidas e Petrus;

No Agogô: Seu Tampinha; e

No reco-reco: Waldete.

Se pudéssemos reuní-los em um única brincadeira a chamariamos de "A Seleção do Ritmo" e vai uma sugestão para a CBT, porque não escolhemos um dia e reunimos todas essas pessoas e saímos pelas ruas mostrando o verdadeiro ritmo dos blocos tradicionais. Esse dia poderia se chamar o "Dia das Estrelas".

Falar de blocos tradicionais sem homenageá-los é um grande pecado e peço desculpas se esqueci de alguém, mas depois de 11 anos afastado de São Luís não dá pra confiar muito nos meus neurônios.

Nessa seleção não posso esquecer de homeangear o melhor, mais assíduo e pontual baliza de todos: Joãozinho dos Foliões na foto.

Por Henrique Machado

quarta-feira, 2 de março de 2011

A farra dos Blocos Tradicionais

É necessário fazermos um trabalho de concientização entre os componentes de todos os blocos tradicionais principalmente no tocante a sua organização. Os blocos tradicionais tem que deixar esse regime patriacal. O blocos não são de Fulano,Cicrano, Beltrano, Família Cicrano, Família Beltrano, Aquele, Aquela, Esse outro, etc....

Eles tem que funcionar realmente como Associação, tem que se aproximar da sua comunidade, tem que associar os seus componentes com direito a voz e votos, com direitos assegurados e com os seus deveres perante a Associação. Possuindo uma diretoria realmente escohida pelo voto, e não um grupamento que seja indicado por quem se diz "Dono do Bloco" e assim fica balançando a cabeça pra tudo o que querem essas pessoas. Precisamos tirar os blocos de dentro das suas casas, pois isso é uma das coisas que dá o direito para A, B ou C acharem-se "Donos do Bloco".

É hora do Ministério Público começar a auditar essas Associações que foram registradas como Blocos Tradicionais e ver quantos sócios realmente tem, quantos diretores estão realmente associados, como foram montadas suas diretorias, qual a data da última eleição, porque na sua maioria podemos considerá-las Associações fantasmas.

A receita estadual e o Tribunal de Contas do Estado e do Município deveriam auditar suas prestações de contas, afinal são mantidos na sua maioria pelo poder público, e aí veremos o quanto realmente foi aplicado nas fantasias e despesas da brincadeira e o quanto foi parar nos bolsos de alguns "Donos do Bloco".

Feito isso com certeza obrigaríamos essas Associações a criarem mais vínculos com a comunidade onde estão inseridas e os seus componentes, e aquelas que não têm menor condição de existir possam ser extirpadas do processo, inclusive sobrando recursos para aquelas que realmente funcionem como Associação e tragam benefícios para a comunidade através de um trabalho social. Criar uma Associação só para receber recursos da FUNC, da SECMA ou do Governo Federal só pra fazer carnaval é muito fácil.

Faz-se necessário criarmos dispositivos que diminuam esse aumento acelerado de Agremiações, para um bloco em Brasília por exemplo receber recursos via Liga dos Blocos Tradicionais eles precisam ter no mínimo 10 anos de existência, no Maranhão não, um grupamento brigou com o "Dono de Bloco X" saiu de lá, reuniu mais algumas pessoas, assinaram uma ata de fundação e registraram em Cartório, expediram um CNPJ, mandam fazer contratempos, retintas e ganzares, tocam a batida 3x2, conseguiram chegar na passarela no horário, no outro ano já recebem verbas do governo estadual e municipal, pronto são considerados Tradicionais. É preciso acabar com essa farra.

Quando os blocos chegarem a esse nível de organização quem sabe poderemos pensar num resgate do nosso verdadeiro carnaval de rua.

Por Henrique Machado